Nutrição e Autismo

É preciso um trabalho de conscientização em relação a escolha dos alimentos  

Por Redação em Vozes

17/04/2020 16:50

"Boa parte dos autistas apresentam seletividade alimentar"

A alimentação é uma necessidade básica, um direito humano, bem como uma atividade cultural. Não comemos apenas porque precisamos de nutrientes e calorias para manter o corpo funcionando. Comer tem um sentido muito mais amplo, pois envolve seleção, escolhas, ocasiões e rituais.

No autismo o simples fato de sair para comer fora, muitas vezes se torna uma tarefa muito difícil, seja lá se a refeição for na casa de parentes ou restaurante. Boa parte dos autistas apresentam seletividade alimentar, intolerâncias ou vivem em mecanismo de rotação onde um alimento pode ser o único aceito e repetido por vários dias até que mude o foco alimentar. Alguns apresentam paladar tão seletivo que aceitam só comidas doces ou salgadas, acidas, pastosas ou em uma determinada temperatura.

Nosso trabalho na AMA visa buscar a diminuição da sensibilidade sensorial e a introdução de uma alimentação tradicional, o que proporcionará mais integração familiar e social. Nos casos de intolerância ao glúten e lactose, buscamos a confirmação de diagnostico clinico e confirmação através de exames laboratoriais para poder melhor orientar a família, escola e demais instituições frequentadas sobre o que pode ser consumido.

Há também um trabalho de avaliação e orientação familiar de melhores hábitos alimentares, pois como em toda estrutura familiar, os menores seguem o exemplo dos pais ou cuidadores. Frisamos sempre a influência de escolhas ruins como salgadinhos, refrigerantes, salgados de padarias, doces - ricos em açúcar, corantes, gorduras saturadas, gorduras trans e glutamato monossódico -, bem como divulgar a comprovação cientifica da ação destes compostos no organismo e o quanto essa substancias atrasam o processo de aceitação de outros alimentos.

Outra coisa importante a citar é que não existe artigo cientifico com população de grande escala de autistas onde se atribui a restrição de lactose ou glúten como melhora do quadro de autismo, há comprovação, no entanto, de que um intestino sem agentes agressores e de flora equilibrada pode proporcionar melhora de agitação, humor e concentração, por isso frisamos a importância de uma alimentação sortida, de boa qualidade e equilibrada, sem restrição se não houver intolerâncias.

Outro trabalho de conscientização feito é em relação à escolha de alimentos bons, ricos em fibras e pobres em gorduras, como frutas, verduras, leguminosas, farinhas integrais, carnes magras, ovos e leite, uma alimentação o mais natural possível com o intuito de manter a saúde e o bom funcionamento do organismo, e evitar o ganho de peso exagerado, pois muitos de nossos autistas fazem uso de medicações cujo o efeito colateral é o aumento de peso e de massa gorda.

Com a colaboração dos pais e familiares já obtivemos muitas melhoras de quadros de obesidade, intolerâncias e seletividades. O tratamento integrado de alimentação adequada na AMA, através de cardápios elaborados sempre pensando no bem-estar e introdução de novos alimentos e, o apoio conjunto da família, é fundamental pra todos os nossos autistas.

Leticia Ivete de Castro – Nutricionista da AMA Campos Novos

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Leticia Ivete de Castro, Nutricionista

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