Mulher e treinadora de cavalos

Isabella participou nesse ano da série de TV “Mulheres na Doma”, onde conheceu técnicas para treinar os animais

Por Redação em Vitrine

07/06/2020 23:48

Mulher e treinadora de cavalos

Diariamente Isabella lida com cavalos na fazenda da família

 

Tem mulher na doma de cavalos? Sim, e aqui em Campos Novos tem a Isabella Fernandes Camargo quebrando paradigmas em um universo dominado por homens. “Teimosa, insistente, mas jamais desistente!”, assim se define a moça de 23 anos nesse itinerário de amansar cavalos, o que segundo ela, está apenas em fase inicial, uma aprendiz.  Sua relação com eles, vem desde pequena, incentivada pelos pais Anildo e Melise Camargo. 

Isabella, além de lidar diariamente com cavalos na fazenda da família, também participa de provas de laço comprido. Mas foi assistindo a primeira temporada de “Mulheres na Doma” em 2019 e simultaneamente a série americana “Heartland” que percebeu o quanto as mulheres eram capazes e estavam despontando na técnica. Resolveu aplicar alguns conhecimentos na sua potra, a Channel, que de início, se tornou um pouco “bardosa”. Mas a boa nova chegou esse ano, quando foi selecionada para a segunda temporada do “Mulheres na Doma” do programa de TV oficial da raça crioula no Brasil, o programa “Cavalos Crioulos”, transmitido na BAND PR, SC e RS e no canal Terraviva.

A série “Mulheres na Doma”, veiculado nos meses de março e abril, mostrou a rotina de nove jovens aprendendo juntas as técnicas necessárias para amansar cavalos, junto aos maiores especialistas do país nesse assunto. As gravações do programa aconteceram em fevereiro, na cidade de Pomerode (SC) e não se trata de uma competição. Todas as participantes confinadas, com estágios diferentes de conhecimento, estavam ali para aprender a arte e o desafio de dominar cavalos e demostrar ao público, o quanto conseguiram aprender e evoluir em 15 dias intensivos de lições. Os vídeos da série também estão disponíveis no Youtube.

“Me senti incrível quando fui convidada! Sabe o que é você assistir uma série inteira, e depois ter a oportunidade de viver aquilo? Meu coração pulava de alegria! O maior desafio deste projeto foi tudo na verdade, mas acho que aprender a andar a cavalo de novo. Nunca usei a palavra "cavaleira" somada a minha pessoa. Eu montava a cavalo para laçar e lidar com o gado, me agarrava como dava. Chegando lá, me deparo com os melhores profissionais da área e só menina fera, todas com alguma experiência. Apenas dizia: eu sou a que menos sabe. Estava lá para sair do zero e aprender tudo, e que aprendizado!”, disse Isabella.

Para Isabella, participar desse projeto teve as notas da superação, principalmente, por encorajar a capacidade feminina e quebrar preconceitos. “Esse programa vem quebrando o preconceito das mulheres estarem dominando o mundo do cavalo. Ainda tem preconceito para a mulher participar de campeonatos e rodeios, o que deveria ser igual para todos. Estou no meio do mundo do cavalo por ser "metida", por simplesmente querer. O que meus familiares não entendiam, é que eu não me importava se só teria homem na lida, ou em rodeio, nem ligava! Eu só queria estar com os cavalos! Então provei que eu poderia ser capaz de fazer a mesma coisa que só homens faziam. Muitos pensam que as mulheres não são capazes de fazer o que os homens fazem. Pelo contrário, muitas vezes a mulher faz o serviço bem melhor do que os homens, porque a gente tem um dom, tem uma paciência. Na doma, pode ocorrer do homem judiar, mas a mulher é mais sensibilidade”, disse.

A técnica

Todo cavalo nasce xucro, ou seja, sua principal defesa é fugir. É justamente por isso que ele está sempre em alerta e se assusta facilmente. Os cavalos precisam passar por um treinamento para conhecer os comandos e se comportar da forma esperada, então o trabalho de homens e mulheres domadores, é conquistar a confiança deles, a base de tudo. “Importante lembrar que confiança não é barda. Acabei deixando minha potra bardosa, não sabia corrigir. Porém aqui em casa, com um pouco mais de instrução, já posso dizer que ela não me domina mais”, conta.

Conforme Isabella, existem diversas técnicas para adestrar o cavalo, e torna-lo apto ao convívio humano. Hoje em dia, ainda é utilizada a doma tradicional, na qual a base é a violência e punição, mas novas técnicas ganham espaço, como a doma racional, baseada no estudo do comportamento do animal com objetivo de trabalhar a perseverança, paciência, repetição, ritmo progressivo e contínuo. No programa, Isabella conheceu diversas técnicas, mas se identificou com a doma western americana.

Mulher e treinadora de cavalos

“A doma western chegou a pouco tempo no Brasil, com técnicas mais racionais, onde aos poucos você conquista a confiança do animal e se sente segura também para poder passar conhecimento para ele. O tempo de treinamento depende de vários fatores, como para qual finalidade é o cavalo, pode ser só para passeio ou para provas de alta performance. Por enquanto eu só faço esse serviço aqui em casa, até treinei um cavalo que estava aqui, fiz o que aprendi e dei um novo lar para ele, agora estou com dois potros de um ano e outro de sete meses, fazendo trabalho de chão neles. Eu quero me aprofundar, estou planejando fazer cursos, como de treinamento de cavalo de alta performance, mas se surgir serviço sempre será bem- vindo”, explicou Isabella. 

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