Estudo mostra déficit de água em lavouras brasileiras de até 50%

Parceria entre IBGE e Ana resultou em relatório detalhado sobre água

Por Redação em Folha no Campo

14/04/2020 18:29

Estudo mostra déficit de água em lavouras brasileiras de até 50%

Se não ocorresse o déficit hídrico, agricultura poderia ter um resultado maior de produção

A agricultura de sequeiro - feita em cultivos que não recebem irrigação – passou por um déficit hídrico médio de 37% entre 2013 e 2017. É o que revelou o levantamento Uso da Água na Agricultura de Sequeiro no Brasil (2013-2017), produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Agência Nacional de Águas (ANA) e que foi divulgado nesta terça-feira (14/). O estudo inédito tem informações estratégicas para o planejamento do uso da água e para o aperfeiçoamento de políticas agrícolas.

De acordo com o IBGE, este tipo de atividade, que depende totalmente das chuvas e da água armazenada no solo, ocupa mais de 90% da área agrícola do país e poderia ser mais produtiva se não tivesse ocorrido o déficit. Para o coordenador de Estudos Setoriais da ANA, Thiago Fontenelle, se não fosse o déficit, a agricultura de sequeiro poderia ter um resultado relevante. “A produção agrícola brasileira poderia aumentar expressivamente com a redução do déficit hídrico em áreas de sequeiro, o que depende não só de chuvas abundantes e bem distribuídas, mas também de manejo adequado do solo e da água nas propriedades rurais”, destacou.

Conforme o estudo, as culturas mais atingidas foram a do milho, em geral, plantado em regiões e períodos de maior risco climático; e a cana de açúcar, que sofreu com o clima mais desfavorável que a média histórica, apesar de ser mais resistente ao déficit de água. O levantamento apontou ainda que o milho e o feijão, culturas de subsistência e, em escala comercial, plantados muitas vezes em períodos de maior risco climático após os plantios de verão como a 2ª safra ou a safrinha, enfrentaram, em média, déficits hídricos superiores a 50%. O mesmo ocorreu com a cana, que enfrentou condições climáticas adversas nas áreas produtoras entre 2013 e 2017 e teve déficits próximos a 50%.

Com relação a necessidade hídrica, os déficits totais observados para o país durante 2013 a 2017, tiveram destaques as culturas de café, milho, feijão e cana-de-açúcar que apresentam os percentuais superiores a 40%.

Consumo

O levantamento indicou que o consumo de água pela agricultura de sequeiro chega a 8,1 milhões de litros por segundo na média dos cinco anos analisados. Em comparação, se considerada a agricultura tanto de sequeiro quanto irrigada, o consumo aumenta para cerca de 10 milhões de litros de água por segundo. Desse total, 92,5% provêm das chuvas e do solo e 7,5% como aporte adicional via irrigação captada em mananciais superficiais e subterrâneos.

Também entre 2013 e 2017, as variações no uso da água foram sutis, havendo impactos regionais tanto das variações das chuvas quanto da própria expansão ou retração da área plantada de algumas culturas.

O IBGE informou que o levantamento teve o apoio da Agência Internacional de Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ) e suas conclusões serão úteis para o Plano Nacional de Recursos Hídricos e o Plano Nacional de Irrigação. O instituto destacou ainda a contribuição para outras diretrizes governamentais e projetos de interesse da sociedade.

O estudo Contas Ambientais da Água: Brasil (2013-2015) foi lançado pelo IBGE, pela ANA e pelo Ministério do Meio Ambiente em março de 2018. De acordo com o instituto, a partir daí, “foi possível entender com maior clareza a relação entre os recursos hídricos e o valor agregado de cada atividade econômica e como a água desempenha um papel-chave no desenvolvimento econômico do país”. A nova série Contas Ambientais da Água: Brasil (2013 - 2017) será publicada no início de maio, incluindo a regionalização dos dados em todo o Brasil.

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