Entidades e Poder Público lançam campanha em prol do comércio

Por meio da iniciativa, Prefeitura, CDL e Acircan visam a união para incentivar compras no comércio local

Por Redação em Covid-19

27/03/2020 16:06 - Atualizada em 27/03/2020 16:06

 Entidades e Poder Público lançam campanha em prol do comércio

Com objetivo de alertar o consumidor sobre a importância de unir forças neste momento de recessão, devido ao covid-19, na última quarta-feira (25/03), a Prefeitura de Campos Novos – por meio da Secretaria de Indústria e Comércio, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos Novos e a Associação Comercial (Acircan), lançaram uma campanha de conscientização para que a população compre das empresas camponovenses. Por meio da iniciativa, as entidades e o órgão público visam colaborar com os empresários para que o comércio se mantenha forte e gerando empregos.

Conforme o secretário de Indústria e Comércio, Ademir Bebber, é preciso transmitir aos empresários e a população camponovense, algumas sugestões para amenizar uma futura crise econômica e superá-la no menor tempo possível. “Considerando a grave crise causada pela pandemia, precisamos pensar e agir com racionalidade para que possamos amenizar os seus impactos, sejam eles de ordem humanitária ou da própria economia, podendo ter a certeza que sairemos ainda mais fortes e sábios”, disse, Ademir Bebber.

A saúde das empresas camponovenses também importa. Esse é o tema da campanha para valorização das empresas locais ou regionais, assim que retomarem as atividades, previsto para a próxima quarta-feira, dia 01 de abril. “Apesar de ainda estarmos com o comércio fechado até a próxima semana, nos antecipamos para que, ao começarmos as atividades, o dinheiro gire em nossa cidade”, comentou Altair Granzotto, presidente da CDL. Segundo ele uma das preocupações das entidades e da prefeitura é a crise econômica pós a pandemia. “Pedimos aos consumidores que deem preferência as compras nos estabelecimentos locais, possibilitando mais geração de renda e mais segurança de emprego”. O consumo de bens e serviços regionais é um ciclo e traz inúmeros benefícios para todos.

Para haver consumo o comércio precisa girar e para isso, a manutenção e geração de emprego é fundamental. Somando somente o comércio e serviços, são mais de 2.500 empresas e prestadores de serviços geradores de renda e emprego no município. Também as industrias, agropecuária, entre outros, totalizando mais 246 estabelecimentos comerciais. Conforme dados do Ministério do Trabalho, em 2.019 eram 8.905 trabalhadores empregados no município de Campos Novos.

Conforme o Decreto do Governo Estadual número 515/2020, de situação de emergência em todo o estado de Santa Catarina para fins de prevenção e enfrentamento do coronavírus, o comércio continua com as portas fechadas até o final desse mês, totalizando 14 dias de paralisação.

 

Flexibilidade no comércio

Segundo o presidente da CDL de Campos Novos, vários empresários entraram em contato com a entidade pedindo flexibilidade para abertura do comércio local, mesmo que, de forma parcial. Da mesma forma está ocorrendo em todo o estado de Santa Catarina. “As CDL’s do estado inteiro estão reivindicando a mesma coisa. Presidentes pressionando os distritais, que pressionam a Federação, que pressiona o governador”, comentou. Altair Granzotto disse que na quarta-feira (25/03), a CDL, Acircan e a Prefeitura se reuniram para debater o assunto. Juntos elaboraram um ofício ao comitê de acompanhamento do Coronavírus em Santa Catarina. “Solicitamos essa flexibilização no Decreto, permitindo que nossas vidas vão voltando ao normal, apesar da pandemia ainda preocupar muito à todos”.

 

Soluções e desafios

O mundo está sentindo os efeitos financeiros da crise, com as perdas nas Bolsas e nos mercados e logo aparecerão os efeitos na economia real, com mais perdas de vendas, falta de produtos e mais desemprego, infelizmente. A recessão de 2020 provocada pelo covid-19 vai afetar empresas e países de forma diferente. Será mais severa sobre as pequenas e médias empresas. No entanto, o impacto será sentido por todos. E quais seriam as melhores soluções?

Pedimos para alguns camponovenses, sugestões do que fazer para amenizar essa situação que o setor econômico enfrentará nos próximos meses.

Na opinião do empresário Marcos Vinícius Bellincanta, as entidades que representam as atividades econômicas do município, junto com o Poder Público, deveriam criar uma rede de suporte com consultorias aos empresários. Segundo ele, não somente aqueles diagnósticos oferecido pelo Sebrae, mas, “uma consultoria Full, para alinhar essas empresas nesse momento difícil, pois, a realidade do nosso município é que muitas pequenas empresas não sabem nem montar a documentação para dar entrada num processo de tomada de crédito. Sei que isso não é barato, mas agora, depois de todas as medidas sanitárias e na área de saúde tomadas, temos que planejar a segunda etapa, a econômica”, disse Marcos, completando que será preciso criar um plano marshall local, sem esperar ações de fora. “Os problemas estão aí, agora é a hora de direcionarmos recursos, tanto financeiros quanto de tempo, para que isso aconteça. Será preciso mudar as prioridades para que algo aconteça, já que vemos no noticiário nacional, somente uma briga pensando em eleições futuras e a ponta, que somos nós saímos sempre prejudicados”.

O professor Shuichi Murakami concorda com a colocação de Marcos Bellincanta e acrescenta que o ponto mais crítico está relacionada a questão financeira imediata. “O governo parece ter liberado algumas linhas de crédito,  prorrogação de pagamentos de impostos, etc... Entretanto, nas condições atuais isso me parece insatisfatório e um remédio muito amargo ainda, e pior, pode não ajudar a maioria. Na minha modesta visão,  esses valores de socorro, não deveriam ser oriundos de financiamentos, mas de uma forma de fundo de socorro em caso de catástrofes. Certamente isso precisa ser estudado com muita cautela pois, sabemos que sempre aparecem os aproveitadores. Mas vislumbro que isso não está tão distante de se concretizar. Os desafios são enormes,  mas com fé e determinação acredito no sucesso”, comenta Murakami.

O empresário Laércio Zanquetta ressalta sobre a importância de liberação de dinheiro de fundos para os órgãos públicos, no entanto, ele questiona a falta de atenção das autoridades junto aos empresários. “Estou vendo muito discurso e pouca realidade até agora”.

 

E agora?

Muitos empreendedores fizeram as contas e descobriram que não tem caixa para manter suas empresas, caso não voltem a faturar. Portanto, é preciso encontrar formas para o negócio sobreviver, com clareza da situação e muito empenho é possível transformar desafios em oportunidades. O contador Fernando Semin é coach empresarial e está preparando uma mentoria sobre aspectos financeiros e gerenciais, com materiais direcionados para empresas. A mentoria será disponibilizada nas plataformas digitais para grupos (limitados) de interessados. “Neste momento precisamos nos unir e ajudarmos uns aos outros, conforme nossos conhecimentos. Apenas desta forma, vamos superar essas crises”, enfatiza Fernando Semin. O empresário vai buscar apoio de instituições financeiras para esclarecer sobre linhas de créditos disponíveis.

 

Crise mundial

O coronavírus tem provocado abalos nos mercados globais e paralisado atividades econômicas no mundo todo, com impactos nas cadeias globais de suprimentos e no comércio global, e com vários países ampliando medidas restritivas e fechando as fronteiras para tentar frear a propagação da pandemia. Para diversos analistas, a economia global não só irá desacelerar em 2020 como também vários países deverão entrar em recessão.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou que a pandemia pode acabar com até 24,7 milhões de empregos em todo o mundo, excedendo os efeitos da crise financeira de 2008, que desencadeou a eliminação 22 milhões postos de trabalho. Somente no Brasil, segundo estimativa de especialistas, cerca de 40 milhões de trabalhadores podem ficar desempregados, caso a situação não mude rápido. 

 

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