Deputado apresentará pedido de impeachment de Carlos Moises

Eskudlark diz que governador sabia de todo o processo de compra dos respiradores

Por Redação em Política

06/05/2020 11:15

Deputado apresentará pedido de impeachment de Carlos Moises

Carlos Moisés falou que aguarda a verdade

A sessão ordinária de terça-feira (05/05), a primeira presencial da Assembleia Legislativa de Santa Catarina após o início da pandemia do coronavírus, foi marcada por fortes críticas dos parlamentares ao governo estadual, além do anúncio, por parte do deputado Maurício Eskudlark (PL), da apresentação de um pedido de afastamento do governador Carlos Moisés da Silva (PSL).

A crise política vem simultânea a crise gerada pelo coronavírus, cujo estopim foi reportagem publicada na página do Intercept Brasil, sobre a compra de 200 respiradores, por R$ 33 milhões, incluindo o pagamento antecipado, sem que os produtos tenham sido entregues até agora. O site lista diversas irregularidades, como propostas forjadas de outras empresas e anexadas depois da compra, troca por modelos mais baratos e sem análise técnica pelo fornecedor, que tem suspeita de ser uma empresa de fachada. O secretário da Saúde de Santa Catarina, Helton Zeferino, foi exonerado na noite de quinta-feira (30/04).

Mauricio Eskudlark disse em plenário que ficou claro que o governador sabia de todo o processo de compra dos respiradores. “Estou concluindo um pedido de afastamento do governador, com base no artigo 72 da Constituição, por crime de improbidade administrativa”, afirmou Eskudlark. “Vejo que temos a materialidade do crime, que é esse pagamento antecipado pelos respiradores. Temos os autores desse crime, inclusive quando o governador manda um projeto para a Assembleia, pedindo para pagar compras de forma antecipada, e depois retira o projeto”.

Na terça-feira, os deputados aprovaram pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), visando apurar as circunstâncias do esquema de compra mal feito e mal explicado, em um período que dispensa licitações. Para agravar a situação do governo, uma funcionária da saúde exonerada, Márcia Pauli, que participou do processo de compra, concedeu uma entrevista em canal estadual, afirmando irregularidades, pressões políticas e interferências em compras e contratos do governo.

Ela confirmou fatos graves já denunciados em depoimento no Ministério Público acusando a Secretaria da Casa Civil, comandada por Douglas Borba, de ter feito pressões para favorecer a empresa Veigamed, do interior do Rio de Janeiro. Ratificou também que o ex-secretário da Saúde, Helton Zeferino, participou diretamente do processo, que envolveu um total de 16 pessoas, todas com responsabilidade administrativa em toda a tramitação.

Douglas Borba, negou que tivesse indicado a empresa. Ele confirmou que como secretaria de articulação política cobra providências e ações das demais secretarias. Na live diária do governo de quarta-feira, Carlos Moisés falou que aguarda a verdade, que não se pode fazer julgamentos precipitados. “A Casa Civil acaba sendo o elo entre cada setor do governo. Nesse tempo que fechou a economia, corremos para equipar os hospitais, é natural que a Casa Civil exija velocidade nas compras na saúde. Outro fato é que respiradores que estavam R$ 60 mil, tem estados pagando R$ 230 mil, é a lei da oferta e da procura. Cabe ao governo aguardar os procedimentos investigatórios para tomar medidas”, disse.

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