Criada comissão para preservação do patrimônio histórico cultural

Um dos focos, será a criação de legislação para garantir a manutenção de patrimônios histórico

Por Redação em Cidades

27/02/2020 12:40 - Atualizada em 27/02/2020 12:40

Criada comissão para preservação do patrimônio histórico cultural

Capela Senhor Bom Jesus no Espinilho com risco de desabar senão forem adotadas providências urgentes de preservação

Na quinta-feira (20/02), foi oficializada uma comissão que terá a tarefa de sugerir uma política municipal de preservação do patrimônio histórico cultural de Campos Novos. A motivação é a retomada do tombamento e restauração das capelas Senhor Bom Jesus, na comunidade de Espinilho e da capela Santa Terezinha, no Distrito de Bela Vista, mantendo suas características arquitetônicas originais. As duas igrejas foram tombadas em 2003, por meio de projeto de lei do ex-vereador Jacyr Werle. A lei só existiu no papel, pois as consequências desse ato, a preservação física dos monumentos nunca se concretizou.

Em 2014, a lei foi revogada por meio de projeto de lei do Poder Executivo, a lei do destombamento. A justificativa na época era possibilitar a reforma das capelas pelas próprias comunidades, já que tombada como patrimônio histórico do município, era possível apenas a restauração, envolvendo mão de obra especializada e maior volume de recursos. A prefeitura na época, sem uma política de preservação do patrimônio, alegava que não conseguia liberar recursos para a intervenção em propriedade privada. “Nós da Bela Vista pedimos o destombamento para reformar, pois a prefeitura dizia na época que não podia restaurar e que nós não podíamos mexer. A capela ia cair, estava muito deteriorada”, disse Marisa Trevisol, moradora do Distrito da Bela Vista.

A historiadora Enedy Padilha da Rosa, que trabalhava na época na Fundação Cultural e assessorou o vereador Jacyr Werle na criação da lei, afirmou que a proposta não era simplesmente o tombamento das igrejas, mas a criação de uma política de preservação e a busca de recursos públicos e privados para a manutenção dos monumentos, algo que não teve prosseguimento. “Nosso objetivo era tombar e conseguir recursos para restaurar. Existia a possibilidade de recebermos as madeiras quando do enchimento do lago da usina, já estávamos negociando, mas não teve prosseguimento”, explicou Enedy.

A comissão é liderada pela Fundação Cultural Camponovense, por moradores das comunidades, pela jornalista Rosely Rossi, o vereador Antônio Rosa, a historiadora Enedy Padilha da Rosa, entre outras pessoas, que promoverão reuniões e discutirão projetos de leis visando a preservação dos patrimônios históricos do município, com prioridade para a capela do Espinilho, a mais deteriorada e com urgência de intervenções, com risco de desabar. As duas igrejas são de madeira de Araucária, construídas na época do ciclo madeireiro camponovense e com alto valor imaterial e histórico para Campos Novos.  

A reunião pública da quinta-feira contou com a presença do prefeito Silvio Alexandre Zancanaro, que demostrou apoio ao tema. “Hoje a intervenção pública não é possível, mas com o retombamento, o poder público poderá empregar recursos para restaurar. Não acontecerá da noite para o dia, precisamos criar uma legislação municipal, a comissão precisa estudar a forma concreta de como vai acontecer, enfim, não basta tombar para deixar no estado que está”, falou o prefeito. O pároco, Padre Dirceu de Rocco disse que vai ter uma reunião com o bispo Dom Mário Marquez sobre esse tema, já que as capelas são patrimônio da Paróquia São João Batista.

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