Começo do fim?

Por Arthur Otto Niebuhr, Servidor da Justiça Eleitoral

Por Redação em Vozes

13/07/2020 13:38

Já de início, 2020 foi um ano inusitado. Além das costumeiras chuvas de verão, otimizadas pela negligência de alguns mandatários locais, ouvimos falar, com espanto, de uma modalidade diferente de gripe, surgida numa cidade chinesa.

Inicialmente intitulado de “novo coronavirus”, o surto gripal foi oficialmente batizado de “covid-19”. Em pouco tempo, o vírus ultrapassou os limites da China e se espalhou pelos demais continentes. A OMS passou a classificar o surto como pandemia. Cidades inteiras impediram os seus moradores de saírem às ruas. Itália, Espanha e Estados Unidos contaram aos milhares os seus mortos. O Brasil passou a contá-los logo depois e, no momento em que escrevo estas palavras, já ultrapassamos a casa dos setenta mil mortos.

Mas o ponto nevrálgico da questão, para mim, reside na origem da doença. Segundo os especialistas, o contágio ocorreu em virtude do consumo de animais exóticos por seres humanos, incluindo-se aí o morcego. Ou seja: ao invadirem o habitat natural dos animais, com o intuito de matá-los e comerem a sua carne, os homens incorporaram uma espécie de vírus perfeitamente adaptável à floresta, mas nocivo e letal aos humanos. O próprio mercado de Uham (cidade de origem do surto) foi fechado, pois o mesmo vendia inclusive animais vivos. Era um verdadeiro estuário de contaminações.

Ainda que consideremos a situação famérica pela qual passam os chineses, oriunda da Revolução Cultural e produto de uma tremenda desigualdade social naquele gigantesco país, não podemos negar que ocorreu nesse caso, novamente, a quebra do equilíbrio de um ecossistema natural. E, sempre que isso ocorre, lidamos com consequências trágicas.

Recentemente, tivemos também a invasão de gafanhotos no território argentino, a ocorrência de um ciclone em terras barrigas-verdes, o reaparecimento da “peste negra” na Ásia, entre outros eventos. Mais do que qualquer sinal apocalíptico ou escatológico (matéria que eu deixo para os teólogos de diferentes matizes), tais fenômenos revelam a completa desarmonia existente na relação entre homem e natureza.

Na verdade, não poderíamos esperar outra reação do meio ambiente, depois de passarmos séculos invadindo, depredando, consumindo e matando os povos autóctones. Ressalto também que a preservação do meio ambiente, ao contrário do que pensam alguns, não emerge de uma quimera contemplativa ou hedonista, mas simplesmente da necessidade de continuidade da raça humana, sobretudo daqueles mais necessitados, que serão os primeiros atingidos pela escassez.

Há algum tempo, importantes líderes mundiais vêm adotando uma postura negacionista. Recusam-se a ver o aquecimento global, a destruição da camada de ozônio, a extinção de espécies, por exemplo. Isso pode gerar efeitos positivos no seu eleitorado, mas certamente é letal para o nosso Planeta. Aqui no Brasil, cartas assinadas por grandes corporações condenaram a atual política ambiental e forçaram uma mudança de atitude diante do tema. Talvez seja um começo.

Somos uma grande aldeia global, quer queiramos ou não. A derrubada de uma árvore no sul irá provocar mudanças no norte, mesmo que a longo prazo. Ainda é tempo de nos realinharmos entre nós e também com as demais espécies vivas. Ou entraremos em uma quarentena permanente, tornando-nos reféns da nossa soberba.  

 

Começo do fim?

Arthur Otto Niebuhr e servidor da Justiça Eleitoral

Folha Independente

Empresa Jornalística
Planalto Sul Ltda. ME

Folha Independente © 2020 Todos os direitos reservados

Desenvolvido por AVB Digital