A vez do agronegócio?

Por Ivan Ramos, diretor executivo da Fecoagro

Por Redação em Vozes

09/09/2020 13:30

Dizem os mais antigos que temos que nos cuidar com “olho gordo”. Verdade ou mito, em nosso dia a dia tem ocorrido imprevisto jamais esperado, considerado por alguns que se trata de “olho gordo”. Inveja. Nesse ano mais uma vez o agropecuário está conseguindo resultados positivos, apesar da estiagem em algumas regiões, resultados a ponto de salvar nossa economia em tempos de pandemia. Mas também se depara com a inveja e “mau olhado” de alguns setores.

O agronegócio, vez por outra sofre interferências externas, mesmo sabendo que em épocas de crise é ele que tem salvado o país. Neste ano, colheita e os preços em quase a totalidade dos produtos agropecuários foram rentáveis e estimulantes e isso se pode ver na fisionomia dos produtores rurais. Em meio a isso aparecem os maus intencionados. Aliás, isso não é novidade no setor. Que o diga o episódio da carne fraca que serviu para depreciar o setor das proteínas no país. Antes disso teve as invenções de países importadores sobre a sanidade dos nossos rebanhos, a ponto de cancelar importações de carnes suínas, afetando o mercado.

Recentemente foi a intenção dos chineses de comprometer os frangos catarinenses, com argumentos insustentáveis na contaminação com vírus do Covid 19, tanto que o próprio governo chinês veio a desmentir, mas mesmo assim, acabou afetando as exportações para alguns países. Já inventaram problemas com a nossa soja e outros fatos mais, sempre visando reduzir os resultados da atividade agropecuária, que está se expandindo e preocupando a concorrência.

Ao par disso aparece o leão do governo federal querendo tributar o setor, sempre buscando alguma cobrança de um setor que garante a continuidade de muitos outros setores da economia. A mordida mais recente está na proposta de reforma tributária enviada pelo executivo ao Congresso Nacional. Efetivamente não dá para ser ter bons resultados que sempre tem alguém querendo participar deles, sem nenhuma participação nos riscos da atividade.

Como consolo, há que se reconhecer pelo setor agrícola das ações da Ministra da Agricultura Tereza Cristina que tem agido em defesa dos estímulos ao setor com propostas aprovadas no Plano Safra deste ano, mas a área de arrecadação do governo federal está faminta por tributos, embora o Ministro da Economia diga que a reforma tributária é para simplificar o processo e não criar novos impostos. Mas se prevalecer a proposta dele, com certeza o setor agropecuário será afetado, mesmo que de forma indireta, comprometendo os resultados finais da atividade.

Em paralelo aparece o Ministério Público querendo inviabilizar as atividades agropecuárias em Santa Catarina, com o pretexto de que a lei da Mata Atlântica se sobrepõe a da Lei do Código Florestal, inclusive das áreas consolidadas, criando um problema econômico e social em os estados onde existe o Bioma da Mata Atlântica e que e Santa Catarina atinge mais de 250 mil famílias rurais.

Como nosso país vive regime democrático, cabe aos políticos definir nosso destino e cada um de nós deve acompanhar a opinião deles e cobrar dos parlamentares para que continuem nos defendendo, para o bem de todos, nosso e do país. Pense nisso!

A vez do agronegócio?

Ivan Ramos é diretor da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina (Fecoagro)

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