A fisioterapia e autismo

Por Marcelo Alexandre, fisioterapeuta e integrante da equipe da AMA Campos Novos

Por Redação em Vozes

10/04/2020 16:43

"No caso das habilidades motoras, o fisioterapeuta atua em funções básicas"

O profissional de fisioterapia atua diretamente em funções determinantes para a vida da criança e adolescente com autismo; e até mesmo adultos. É importante ressaltar que quanto antes o tratamento iniciar, maiores são as chances de uma evolução bem-sucedida existir. A fisioterapia neurológica e ortopédica, ajuda no desenvolvimento de tarefas, afim de que os indivíduos não se sintam excluídos do grupo e de competências sociais. No caso das habilidades motoras, o fisioterapeuta atua em funções básicas, como andar, sentar, ficar de pé, jogar, rolar, tocar objetos, engatinhar e a se locomover de maneira geral.

O diagnóstico fisioterapêutico é realizado por uma avaliação minuciosa Neurológica, individualizada e complementada por avaliações complementares como tomografias e ressonâncias magnéticas e avalições especializadas a autistas como:  Escala de Classificação de Autismo na Infância (CARS) e Medida de Independência Funcional (MIF). Também trabalhamos com o Programa de Aprendizagem e Desenvolvimento (PAD) na parte das avaliações motoras.

Com fim de tratamento terapêutico, o fisioterapeuta pode contar com as seguintes técnicas:

BOBATH - método de abordagem terapêutica e de reabilitação, desenvolvida para o tratamento de adultos, crianças e bebês com disfunções neurológicas, tendo como base a compreensão do desenvolvimento normal, utilizando todos os canais perceptivos para facilitar os movimentos e as posturas seletivas. A Bola de Bobath é um dos equipamentos mais utilizados neste conceito. Outros equipamentos são: o rolo, o andador, o espelho, etc. O tratamento realizado pelo fisioterapeuta inclui movimentos ativos e passivos.  Ela é responsável por dar simetria ao corpo, administrar as posições do indivíduo, dar firmeza ao tronco, promover alongamentos e trabalhar o tônus muscular.

THERASUITE – este método foi criado em Michigan/USA, pelos fisioterapeutas Izabela Koscielny e Richard Koscielny. A base da técnica foi uma veste criada por pesquisadores russos com intuito de contrapor os efeitos negativos vividos pelos astronautas (atrofia muscular, osteoporose). É constatado que pessoas com desordem neuromuscular precisam de repetições intensas de exercícios para aprender e adquirir uma nova habilidade motora. Normalmente realizado por fisioterapeuta.

CUEVAS MEDEK – é uma metodologia baseada em exercícios dinâmicos e desafiadores contra a gravidade. Seu objetivo principal é reforçar o potencial de recuperação natural de crianças que apresentam alguma dificuldade motora. Habitualmente o fisioterapeuta utiliza um suporte para expor a criança à influência natural da força da gravidade, além de trabalhar o alongamento muscular

CIRCUITOS DE EXERCICIOS DE ESTIMULO NEURO-MOTOR-SENSORIAL: como um das principais  entradas sensoriais no autista e no sistema vestibular, os exercícios de estímulos motores-sensoriais estimulam este fim, através de exercícios montados para que o autista execute exercícios de equilíbrio, coordenação, sensoriais de encaixe de peças, manusear objetos de diferentes texturas, manipular bastões, contornar cones, subir e descer escadas e manusear bambolês e realizar exercícios de equilíbrio e coordenação na escada de habilidades.

EQUOTERAPIA: Quando iniciarmos as sessões de Equoterapia, cujo centro está em fase de construção pela AMA, o fisioterapeuta vai atuar na avaliação dos autistas em conjunto com a psicóloga por indicação médica. E atua na equipe multidisciplinar na reabilitação do praticante encima do cavalo. Os movimentos que o ser humano realiza quando está em cima do cavalo “estimulam a atividade cerebral”, resultando na adequação sensorial e na aquisição de consciência corporal. A vantagem da equoterapia, nesses casos, é facilitar a socialização através do contato e do vínculo prazeroso com o cavalo, os terapeutas, os praticantes e a sociedade, de forma geral.

FISIOTERAPIA RESPIARATÓRIA: A fisioterapia respiratória é uma especialidade da fisioterapia que visa a prevenção e o tratamento de praticamente todas as doenças que atingem o sistema respiratório como a asma, bronquite, insuficiência respiratória e tuberculose, por exemplo. Ela deve ser sempre realizada pelo fisioterapeuta em casa, na clínica, no hospital ou no trabalho. Exercícios respiratórios são também fundamentais para melhorar a respiração e mobilizar os músculos ventilatórios. Além disso, a fisioterapia respiratória pode ser feita também na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), inclusive quando o paciente se encontra entubado, ou seja, respirando com a ajuda de aparelhos.

Conclui-se que a fisioterapia no autismo é de notória importância, pois segundo várias pesquisas mundiais, observaram-se grandes evoluções dos pacientes, quanto a melhora motora, sensorial, respiratória, maior interação social e cognitiva, dando melhor qualidade de vida a este paciente.

Mês de Concientização do Autismo

 

 

 

A fisioterapia e autismo

Marcelo Alexandre, fisioterapeuta

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