Caldeirão pós-2018

Por Arthur Otto Niebuhr, servidor público na Justiça Eleitoral

Por Redação em Vozes

31/08/2020 13:03

“O Brasil não conhece o Brasil”, já cantarolava Elis. Parece que não mesmo. Continuamos sendo um confuso barril de pólvora, pronto pra explodir ao lado de um mendigo que se esconde do frio. Pessoas se odeiam pelo simples fato de que não concordam com a cor da roupa. Atletas morrem na concentração, mas o jogo continua. Ronaldinho Gaúcho voltou a tomar uísque.

Uma menina de dez anos é sordidamente estuprada pelo tio (aliás, reincidente e confesso). Um Magistrado com bom senso (aleluia!) autoriza que a criança faça o aborto. O que faz a tal “sociedade civil organizada”? Guerreia. Alguns insanos vão à porta do hospital, criticar o procedimento abortivo. Outros mentecaptos comemoram a morte do feto, dizendo que isso é um sinal de evolução.

E a menina que foi estuprada? Como sempre ocorre nos casos criminais, a vítima fica abandonada, pois não serve aos interesses ideológicos dos demagogos de plantão. Nojenta realidade. Como contraponto racional, sugiro que assistam ao depoimento do Pastor Gilberto Weggermann, disponível no youtube.

A Deputada Federal e Pastora (sic) Flordelis é indiciada pela morte do seu marido. No bojo do inquérito policial, surgem evidências de que a esposa teria tentado envenenar, por seis vezes consecutivas, o seu marido; além disso, um dos filhos adotivos revela que teve relações sexuais com a sua mãe e que ela “agenciava” mulheres para convidados estrangeiros. Qual a posição dos principais líderes evangélicos brasileiros? Silêncio absoluto. Lá no fundo, algumas vozes tentam argumentar: “pois é, mas vejam o caso do Pai Eterno ...”. Lamentável.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, o Governador Witzel é afastado pelo STJ. O mesmo que veio para “arrumar a casa”, que disse que os bandidos tinham que levar um tiro de fuzil “na cabecinha”, que derrubou placas de ruas com nomes de “comunistas”. Pois é. Aparentemente, aconselhou-se com os seus antecessores e se lambuzou. Saiu atirando para todo lado, como é comum nessas situações. Deixou um vice indiciado no comando. Aliás, o Presidente da Assembleia também está sendo investigado. O Rio continua lindo.

Nem vou falar nos ativistas extremistas, na intolerância cultural, nos crimes bárbaros que costumamos presenciar. Vou parar aqui. São tempos difíceis, meu povo. Tempos em que calar pode ser revolucionário e ouvir poder ser eloquente. O meu diagnóstico é de que precisamos reorganizar a nossa escala de valores, apaziguar a alma, meditar e ler bons livros. A nossa experiência antropológica não deu certo. Sejamos humildes para reconhecer que estamos sem rumo. E recomecemos do zero.

Caldeirão pós-2018

Arthur Otto Niebuhr é servidor público, trabalha na 7ª Zona Eleitoral de Campos Novos

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